Damien
Mondragón é o terceiro filho do casal, nasceu no dia 22 de Março de 1442 numa
tarde calma e de algum calor. Enquanto as parideiras ajudavam no parto, o seu
pai estava em viagem para Barcelona onde iria ser recompensado pelo trabalho na
defesa do Condado. Pablo e Matthew já tinham nascido mas ainda eram crianças e
necessitavam de muita atenção, então, Hellen dependia muito das aias e amas
para cuidar das crianças.
Já em
Barcelona, Teodoro recebia a elevação a Comandante da Fronteira Norte de
Cataluña, com este cargo iria passar mais tempo fora de casa, com a devida
recompensa… A sua nova função era proteger o Principado através da proteção do Norte
da fronteira com o reino Francês. Iria também, recrutar e escolher os melhores
soldados para vigiar a fronteira.
As
constantes viagens de Teo começavam, entre Pagcerdà e Girona o seu cavalo
galopava sempre acompanhado por mais um ou dois soldados. A cada viagem os
filhos cresciam e o número aumentava, Hellen e Teo já possuíam cinco filhos:
Matthew, Pablo, Damien, Javier e Sarah. Eles começaram a ter todo o tipo de
aulas, os rapazes tinham aulas de luta, seguindo as pisadas do pai e a pequena
Sarah aprendia a tecer e algumas tarefas domésticas, apesar de não gostar, era
obrigada pelo seu pai, ele acreditava no sistema disciplinado e rigoroso, o
sistema antigo… e acreditava que todas as famílias assim o deveriam ser.
Com
catorze anos, Damien, preparava-se para o anual Torneio do Iniciante, onde se
procuravam os melhores aspirantes a soldados. Assim que atingissem os catorze
anos e fossem escolhidos pelos recrutadores, treinariam na capital até
atingirem os dezassete anos e depois seriam designados por um título militar,
conforme as qualidades de cada um.
Nervoso,
observava os outros jovens a serem avaliados, várias provas eles tinham de
ultrapassar se queriam progredir na carreira militar. Um a um foram, até chegar
a Damien, com o seu pai e um dos seus irmãos a observar, sabia que tinha de
fazer uma boa prestação. Ele realizou várias provas que duraram por vários
dias, conseguiu passar nos testes e teve melhores resultados no Combate de
Espada e no Combate de Armas Especializadas. No final Teodoro sorriu para o
filho e afagou-lhe os cabelos, mais tarde, na vinda para casa, Damien reparou
no estado do seu irmão… ele estava cabisbaixo e abatido. A viagem foi
silenciosa, nenhum dos dois falava e Damien achou melhor não mencionar nada.
Já em
casa, o irmão parte para o seu respetivo quarto, assim como Damien sem nenhuma
conversa... Apenas horas depois, quando olhava pela janela, viu o irmão partir
num cavalo castanho para Norte, achou estranho aquela partida, pois o irmão costumava
avisar das suas viagens. Damien desce as escadas apressado, lá encontra o seu
pai com os seus irmãos e pouco depois contam-lhe a razão da viagem do irmão,
Matthew tinha falhado nos testes de admissão do Exército Real e os Mondragón
não poderiam falhar, quem falhasse era considerado fraco e era expulso de casa,
retirando-lhes o nome de família e dando-lhes apenas um saco de moedas para
sobreviver nos primeiros dias fora de casa. A atitude ríspida de Teo irritara o
resto dos irmãos mas Damien compreendia… quem não fosse capaz, não deveria
estar ali… pensava ele.
Damien
foi envelhecendo… passaram-se três anos, ele estava mais alto e mais forte, ocupava
os dias treinando, preparando-se para as provas que se avizinhavam. A sua irmã
já era quase uma dama, o seu irmão mais novo já estava a seguir o caminho
militar e Pablo, o agora mais velho, já cumpria missões importantes no Exército
Real. Apenas semanas antes das provas de ascensão de Damien, o reino estava
partido em duas partes: os que apoiavam o Rei e o seu poder absoluto e aqueles
que queriam “uma forma mais justa de governar”, discussões e até algumas
batalhas já teriam acontecido e eram cada vez mais frequentes. Os rebeldes
começaram a ganhar em número e em força, quem se opunha era torturado, preso ou
morto… Começaram por tomar as cidades produtoras do Reino de Aragão, Jaca e
Huesca e com a ajuda do Reino de Castilha, que há muito apoiavam esta mudança,
invadiram Zaragoza e aprisionaram os Senhores de lá.
Rapidamente se espalharam
para as outras cidades… Monzón, Fraga, Caspe e todo o Reino de Valencia… Os
resistentes concentravam as forças em Lérida e Tortosa, se os rebeldes
ultrapassassem essas cidades, todas as cidades seriam conquistadas. Os
habitantes começavam a fugir para Norte e os roubos e assaltos começavam… As
estradas deixaram de ser seguras para viajantes indefesos, pois todos os
soldados estavam a combater contra os rebeldes.
Teodoro
e Pablo protegiam a Capital do Principado, Barcelona, mas sabiam que não iria
demorar muito tempo até os rebeldes avançarem de Lérida e Tortosa. Teo escreveu
uma carta para Puigcerdà, escrevera que Hellen e os filhos mais novos deveriam
partir para Norte, levando todo o dinheiro que estivesse em casa e comida para
alguns dias. Para evitarem as estradas principais e usarem as florestas e os
montes como estrada. Eles deveriam caminhar até Carcassone, onde estaria um
velho amigo da família, Renard, um velho diplomata francês que conhecera
Teodoro numa escolta.
Após ler
a carta, Hellen apressou-se, preparou as pequenas malas e avisou os filhos para
se prepararem. Javier não queria partir, o miúdo imprudente queria defender a
cidade contra os amotinados, mas um pequeno sermão da sua mãe serviu para lhe mudar
as ideias… No fim do dia, todos abandonavam a casa, até os dois servos da
família partiam para qualquer sitio seguro. Saíram para Norte por entre as
árvores e o escurecer do dia, mais a Sul, os rebeldes rompiam as fronteiras e
avançavam em direção a Barcelona.
| Damien segurado por sua mãe e ao lado de Teodoro |
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